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“‘Difícil é estar aqui agora, vou até a cozinha de novo e pego uma coca, passeio pelos canais de TV (a locutora tem os cabelos dela, o jeans do comercial veste suas pernas, seus olhos fogem num filme). O silêncio do telefone é maior. Brinco com o lápis no bloco de recados, escrevo estas palavras. Rabisco seu nome. O frio entra na janela, eu fecho. Talvez saia.
Alguém disse, de mim: por que nunca rio?
O trânsito é lento. Fui até sua casa outra vez, juro que não quero.
Como é mesmo aquilo, estava escrito no livro. Só queria parar de pensar um pouco. Será possível? Parece tão irreal. Mentira que não rio.
Lembrei um pedaço de música, nunca sei como se completa. Tem uma coisa que eu queria fazer. Anoitece. Voltei a pé até a casa dela. Queria vê-la.
Cadê…’
Quantas palavras indefinem. E frases, e páginas, e fotos. E a falta das fotos. Falsas, essas caras. As histórias que tento contar. As pessoas. Ela, e tantas. Tantas, únicas, as mesmas. Outras.
Ela.
A pele: dela.
Contanto que seja.
Perto.’”
